Auditoria operacional com o objetivo de induzir a melhoria na gestão da carteira de obras paralisadas

O que o TCU fiscalizou?

A fiscalização teve como origem trabalhos anteriores do TCU na área de obras públicas no país, especialmente o diagnóstico promovido em 2018, que resultou no Acórdão 1.079/2019-TCU-Plenário, de relatoria do ministro Vital do Rêgo, e em seus processos conexos, o Monitoramento TC 036.106/2019-4 e o Acompanhamento TC 021.731/2019-5.

Em 2022, o TCU realizou auditoria operacional, para melhorar a gestão da carteira de obras paralisadas, envolvendo recursos do Orçamento Geral da União, verificar as ações sobre as carteiras do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Saúde e do extinto Ministério do Desenvolvimento Regional e coletar informações sobre ações que se traduzissem em boas práticas nos demais órgãos, com participação em empreendimentos públicos.

O trabalho avaliou se: (i) as ações formuladas no âmbito da administração pública, destinadas a melhorar a gestão da carteira de obras paralisadas são adequadas e suficientes para o enfrentamento do problema; (ii) há priorização, baseada em critérios, de modo a direcionar a alocação eficiente dos recursos para retomada de obras paralisadas; (iii) existem estudos ou providências em andamento relacionados à destinação das obras paralisadas que se mostraram inviáveis de ser retomadas.

A fiscalização foi realizada de maio de 2022 a julho de 2023 e abrangeu o período de 2019 a 2022. O volume de recursos fiscalizados totalizou R$ 27,22 bilhões.

Painel de obras paralizadas

De acordo com informações do Painel de Obras Paralisadas, elaborado pelo TCU, a quantidade de obras paralisadas aumentou entre 2020 e 2023, ainda que a quantidade total de obras tenha diminuído significativamente. Atualmente, em um universo de cerca de 21 mil obras vigentes, 8.603 estão classificadas como paralisadas, 741 obras a mais que as registradas em 2020 (cf. o gráfico abaixo).

Obras paralisadas versus obras em execução

Obras paralisadas versus obras em execução
Fonte: Elaboração própria com base nas informações extraídas do Painel Obras Paralisadas

O que o TCU encontrou?

Verificou-se insuficiência na coordenação, no planejamento, na priorização, no monitoramento e na avaliação da gestão das carteiras de obras paralisadas por parte do Centro de Governo. Há disparidade, fragmentação e insuficiência de ações realizadas pelas pastas setoriais na gestão da carteira de obras paralisadas, no período de 2019 a 2022. Tampouco foram identificados estudos ou providências relacionadas à destinação das obras paralisadas consideradas inviáveis de ser retomadas.

Isso resultou da ausência de um plano central para gestão das obras paralisadas que estabelecesse a estratégia, a coordenação e a coerência das políticas públicas que seriam priorizadas, bem como o grau de priorização entre as políticas públicas, sopesando a limitação dos recursos operacionais e orçamentários.

A fragmentação das ações pelos diferentes órgãos setoriais e o desconhecimento pelo governo central de quais obras são prioritárias e quais não devem ser retomadas, seja por haver inviabilidade técnica, seja por não mais atender-se às necessidades locais, revelam deficiência na gestão da carteira de obras paralisadas e podem resultar na ausência da prestação dos serviços vinculados a cada política pública.

Por fim, a ausência de normas que prevejam orientações e tratamento direcionados aos empreendimentos que se encontram paralisados também pode gerar insegurança jurídica aos gestores, para tomar decisões acerca da destinação a ser dada às obras, o que resulta na alocação ineficiente de recursos e esforços para a gestão de um passivo que gera pouco ou nenhum benefício à população.

O que o TCU decidiu?

Determinar à Casa Civil, em coordenação com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e o Ministério do Planejamento e Orçamento, que: a) realize levantamento sistemático das informações atualizadas sobre as obras paralisadas que contem com recursos federais; b) elabore um plano central de gestão das obras paralisadas que estabeleça estratégias e diretrizes gerais para a retomada da execução dos projetos; c) coordene planos táticos junto aos órgãos setoriais responsáveis pelas obras paralisadas.

Quais são os benefícios esperados?

Espera-se que a atuação do TCU induza o governo federal a implementar estratégia coordenada de enfrentamento do problema das obras paralisadas a partir da adoção de critérios adequados de priorização e a promover a segurança jurídica para os agentes envolvidos, resultando, ao fim, na retomada destas obras de forma célere e, por conseguinte, no incremento da eficácia das políticas públicas beneficiadas por estes empreendimentos.

Dados da deliberação

Relator: ministro Vital do Rêgo

TC: 009.197/2022-2

Sessão: 18/10/2023

Unidade responsável: Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Urbana e Hídrica (AudUrbana) da Secretaria de Controle Externo de Infraestrutura (SecexInfra)

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